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Zambelli, Ramagem e Eduardo: página vergonhosa da nossa história
Essa sequência de fatos não deve ser normalizada. É uma mancha na história do Parlamento e um alerta severo: quando a política se afasta da legalidade e da responsabilidade, quem paga a conta é a democracia.
O que o Brasil assiste neste momento não é apenas a cassação de mandatos, mas a exposição crua de uma crise moral e institucional que envergonha a República. Carla Zambelli, Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem tornaram-se símbolos de um período em que a Constituição foi tratada como peça retórica, usada apenas quando conveniente.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, cometeu um erro grave — um verdadeiro tiro no pé — ao empurrar para o plenário a decisão sobre a cassação de Carla Zambelli, mesmo diante de sua condição de foragida e presa na Itália. O desfecho foi inevitável: o Supremo Tribunal Federal precisou intervir e determinar a cassação imediata, deixando explícito que a decisão da Câmara afrontava a Constituição.
Na sequência desse constrangimento institucional, a própria Mesa Diretora da Câmara foi obrigada a agir. Nesta quinta-feira (18), decidiu cassar os mandatos de Alexandre Ramagem (PL-RJ) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP). As decisões, assinadas por Hugo Motta e outros quatro integrantes da Mesa, foram publicadas no Diário Oficial da Câmara, oficializando a perda dos mandatos e abrindo caminho para a posse dos suplentes.
Ainda assim, o estrago já estava feito. O que se viu foi uma Câmara Federal insistindo em desafiar não apenas o Supremo Tribunal Federal, mas a própria Constituição que tantos dizem defender “dentro das quatro linhas”. Foragidos não podem exercer cargos públicos. Isso não é interpretação ideológica — é regra básica do Estado de Direito.
Chega a ser revoltante constatar que o Brasil chegou ao ponto de manter deputados federais foragidos com mandatos ativos, salários pagos, gabinetes funcionando e despesas bancadas pelo dinheiro público, enquanto nenhum deles exercia qualquer atividade parlamentar. Trata-se de um escárnio com a população brasileira, que trabalha, paga impostos e exige o mínimo de seriedade das instituições.


