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Show Rural vira estúdio para vaidade pessoal de Mecabô
Henrique Mecabô, como prefeito em exercício, conseguiu a façanha de ser o pior representante que o município já teve na história do Show Rural—uma verdadeira lagarta devoradora de folha de soja institucional, causando prejuízo simbólico à imagem do agro e ao papel que o cargo exige.
Enquanto houver eleitor confundindo gestão pública com ensaio fotográfico, esse tipo de político continuará prosperando. O vice-prefeito, dublê de modelo do soja society, transformou o maior evento do agronegócio da América Latina em cenário de reality show barato.
Enquanto produtores discutiam safra, crédito e tecnologia, Mecabô se ocupava com o figurino, a pose e melhor ângulo para o feed. O evento virou estúdio; o cargo, figurino. Saiu fora de quadro institucional, mas ainda encontra plateia disposta a aplaudir a palhaçada.
Há um abismo entre governar e brincar de governar. Trabalho de verdade começa quando as câmeras se desligam e a obsessão por likes sai de cena para dar lugar a projetos concretos, coisa que essa geração “anencéfala da tecnologia” parece incapaz de compreender. Não sabem existir sem seguidores, curtidas e aplausos digitais.
Os chamados lacradores abandonaram o trabalho real para viver de performance. Alimentam-se de distorções cognitivas, sobretudo a adivinhação do futuro: falam como se soubessem o que o povo quer, o que vai acontecer e como todos irão agir, quase sempre sem fatos, dados ou responsabilidade. Transformam achismo em verdade, medo em engajamento e ruído em política.
Não governam, não constroem, não entregam. Preveem, acusam e lacram. É menos política e mais desvio cognitivo travestido de liderança.
Vai trabalhar, Mecabô.


