" />
Português (Brasil)

Paranhos é denunciado mais uma vez por corrupção

Paranhos é denunciado mais uma vez por corrupção

Nova denúncia aponta movimentação de R$ 54 milhões por empresas ligadas à família de Leonaldo Paranhos. E agora governador Ratinho Jr.? O Secretário de Turismo do Paraná, Paranhos, será afastado do cargo imediatamente até a conclusão das investigações ?

Compartilhe este conteúdo:

Cascavel (PR)-Uma série de reportagens vai apresentar a conhecida fábula do menino pobre que saiu de Paraíso do Norte rumo a Cascavel, aquele que um dia jurou à mãe que jamais roubaria ou faria algo errado na vida. Uma história comovente, dessas que sempre funcionam bem em época eleitoral.

Antes de virar deputado e, depois, prefeito, Paranhos devia em cada esquina. Contava com a boa vontade de amigos, que o socorriam com pequenos empréstimos para pagar o aluguel de uma quitinete e bancar despesas pessoais básicas. Até os 40 anos de idade, era pobre de maré, sem patrimônio, sem negócios relevantes e sem qualquer sinal de prosperidade fora do discurso.

Mas bastou a eleição para deputado e veio a ascensão financeira digna de filme da Marvel: rápida, fulminante, improvável e absolutamente destoante de toda a sua realidade de vida até então. Um verdadeiro milagre econômico — desses que não aparecem nos livros, mas surgem com frequência na política brasileira.

Todo esse enredo, envolvendo Paranhos e seus asseclas, deu origem a investigações que prometem se arrastar por anos na justiça lenta e complacente do país, tempo suficiente para que novas campanhas sejam feitas, novas histórias sejam contadas e a velha narrativa do “homem simples” continue rendendo votos.

E o desfecho? Segundo as últimas pesquisas, o povo de Cascavel deve elegê-lo deputado federal. Porque, afinal, no Brasil, a memória é curta, o marketing é forte e enganar parcela do eleitorado continua sendo uma tarefa surpreendentemente fácil.

Uma nova denúncia protocolada na Delegacia de Combate à Corrupção (DECCOR) aponta que empresas ligadas ao núcleo familiar do ex-prefeito de Cascavel, Leonaldo Paranhos, movimentaram ao menos R$ 54 milhões durante e após seus dois mandatos à frente do Executivo municipal.

A representação, apresentada pelo ex-deputado federal Evandro Roman, é baseada em ampla documentação obtida a partir da análise de dados abertos, registros públicos e cruzamento de bases oficiais. Segundo o material, enquanto Paranhos exercia o comando da Prefeitura, e detinha influência direta sobre os órgãos responsáveis pela fiscalização e aprovação de obras, empresas vinculadas à sua família tiveram crescimento patrimonial acelerado, com decisões administrativas favoráveis e operações imobiliárias milionárias.

A denúncia também destaca que, logo após deixar o cargo, Paranhos passou a integrar formalmente as mesmas empresas que, durante sua gestão, teriam sido beneficiadas por aprovações irregulares, obras com falhas graves e movimentações financeiras incompatíveis com a capacidade econômica declarada. O conjunto das informações aponta indícios de enriquecimento incompatível, favorecimento administrativo, subcapitalização de empresas e reorganização patrimonial envolvendo familiares e pessoas próximas.

Outro ponto central é que, em 2023, ainda no exercício do mandato, Paranhos assumiu a administração da Oeste Holding Ltda., empresa privada criada naquele ano. A Lei Orgânica Municipal proíbe expressamente que agentes públicos exerçam gerência ou administração de empresas enquanto ocupam cargos eletivos, o que, segundo a denúncia, configura indício direto de infração político-administrativa.

Antes de assumir a Prefeitura, Paranhos não possuía histórico empresarial relevante no setor imobiliário ou da construção civil. Durante seus mandatos, contudo, empresas do núcleo familiar passaram a aprovar empreendimentos com irregularidades, realizar operações imobiliárias de alto valor e expandir patrimônio de forma considerada incompatível com sua estrutura formal.

Os documentos foram oficialmente protocolados por Evandro Roman na última sexta-feira (6). À reportagem, ele afirmou que a nova denúncia “reforça, com provas documentais cuidadosamente reunidas, os fatos que deram origem ao inquérito já em andamento na Delegacia de Combate à Corrupção”.

O conjunto de atos administrativos favoráveis, a participação privada exercida durante o mandato, a rápida evolução patrimonial da família e o ingresso posterior de Paranhos nas sociedades investigadas sustentam, segundo a representação, um cenário de conflito de interesses e possível uso da máquina pública para beneficiar negócios privados.

 

 

MP do Paraná amplia investigação

 

 

Diante das novas informações, a DECCOR solicitou ao Ministério Público do Paraná a prorrogação do prazo de investigação em inquérito que apura suspeitas de tráfico de influência e uso de informação privilegiada, especialmente relacionadas à ampliação do perímetro urbano de Cascavel. O MP acatou o pedido, considerando a complexidade do caso e o fato de Paranhos ocupar atualmente cargo de secretário estadual do Turismo, o que envolve foro por prerrogativa de função.

 

 

ParanhosLeaks

 

 

As novas denúncias se somam às revelações conhecidas como ParanhosLeaks, divulgadas há pouco mais de um ano. À época, Evandro Roman tornou públicos documentos, áudios, registros internos e cruzamentos de dados que indicariam um esquema de favorecimento a empresas ligadas à família do então prefeito.

O material apontava suposta interferência política em processos de aprovação de obras, flexibilização de exigências técnicas, direcionamento de decisões administrativas, irregularidades em licitações, liberação de alvarás, emissão de habite-se e operações imobiliárias de alto valor.

As revelações deram origem à instauração de inquérito policial. Agora, com a consolidação dos dados financeiros, societários e patrimoniais, o conteúdo foi organizado em relatório técnico pelo corpo jurídico que assessora Roman e novamente encaminhado à DECCOR, aprofundando os indícios já investigados.

Segundo o ex-deputado, a nova denúncia evidencia um padrão sistemático de uso da estrutura pública. 

Compartilhe este conteúdo: