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Nikolas e seguidores devem pedir perdão pelo 8 de janeiro

Nikolas e seguidores devem pedir perdão pelo 8 de janeiro

Não é caminhada que o Brasil espera, é arrependimento: Nikolas e seus seguidores de joelhos pedindo perdão pelo 8 de janeiro. Nunca se viu na história do Brasil uma manifestação tão simbólica do vazio político quanto essa caminhada liderada por um deputado “cego”, não fisicamente, mas institucionalmente, juridicamente e democraticamente. Uma marcha de elite, organizada no meio do nada, caminhando quilômetros para lugar nenhum, pedindo coisa nenhuma que tenha sustentação concreta na realidade.

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Vivemos em uma democracia plena, com instituições funcionando, eleições reconhecidas e um ordenamento jurídico claro. Temos todos os ingredientes para mudar no voto sem proselitismo. Ainda assim, esse rapaz, que acordou incautos da política e arregimentou profundos desconhecedores do Estado de Direito, insiste em transformar palhaçada em ato político. É a estética da rebeldia sem conteúdo, a encenação da indignação sem causa.

Os bastidores da tal caminhada falam mais do que qualquer discurso: helicópteros sobrevoando, carros de apoio, fisioterapeutas em restaurantes, massagens nos pés e a famosa “picanha do Bolsonaro”. Tudo muito distante do povo real, do Brasil que trabalha, pega ônibus lotado e enfrenta fila no SUS. Não é resistência; é cosplay de sacrifício bancado por conforto, privilégio e marketing.

A cena lembra, perigosamente, o roteiro já conhecido: mobilizações desconectadas da realidade, embaladas por slogans vazios e guiadas por líderes que flertam com o caos institucional. O resultado nós já vimos em 8 de janeiro, um fiasco golpista derrotado pela força da democracia, mas que deixou prejuízos materiais bilionários e uma mancha histórica que o país não merece repetir.

Não se trata de pedir liberdade para criminosos, isso seria até ridículo de assumir em público. O que se vê é uma tentativa mal disfarçada de reescrever a barbárie, suavizar o inaceitável e empurrar para debaixo do tapete uma tentativa explícita de ruptura democrática. Movimentos assim não fortalecem a política: a apequenam.

Se houvesse um mínimo de grandeza moral e responsabilidade histórica, o gesto mais digno não seria marchar com helicópteros sobrevoando, mas ajoelhar na praça do Cruzeiro simbolicamente e pedir perdão ao país. Perdão pelos ataques à democracia, pelas mentiras, pelo incentivo ao caos e pela tentativa de impor uma ditadura travestida de patriotismo, tão autoritária quanto aquelas que dizem combater.

Democracia não se ameaça, não se testa, não se ridiculariza, mais utiliza o voto sagrado para mudar. Justiça não é clamor de rua encenado; é respeito às instituições. O resto é vergonha nacional anunciada, e essa caminhada sem rumo ideológico é mais uma, que o Brasil pela sua grandeza e pela sua história não merece.

 

 

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