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Gerson Castelo Branco recebe o Título de Doutor Honoris Causa
Gerson Castelo Branco é reconhecido como um arquiteto autodidata cuja obra nasce de vivências, intuições e liberdade plena. Ele batizou sua linguagem de Paraqueira — uma expressão arquitetônica que rejeita formalismos e afirma um Brasil profundo.
Gerson Castelo Branco, nascido em 1948 em Parnaíba (PI), sempre trilhou um caminho próprio. Ainda menino, percebeu que seu mundo interior destoava das convenções impostas pela escola e por uma cidade conservadora. Seu olhar já era artístico, inquieto, e sua sensibilidade — inclusive afetiva — o colocava na contramão dos padrões locais. Aos 18 anos, decidiu romper com tudo aquilo que o limitava e seguiu para Salvador. Ao chegar, foi arrebatado pela Baía de Todos os Santos, pelos tons vibrantes espalhados pelas ladeiras e pela energia intensa do povo soteropolitano. Ali conheceu um Brasil que até então lhe era oculto. Tentou arquitetura, mas acabou ingressando em Belas Artes, onde mergulhou em um ambiente cultural efervescente — Novos Baianos, carnaval da Bahia, novas referências — mesmo enfrentando enormes dificuldades para se sustentar na cidade.
A arquiteta e jornalista Olga Krell sintetizou de forma brilhante o que representa sua produção: enquanto muitos profissionais repetem modelos ditos “internacionais”, Gerson cria algo genuíno, que dialoga com qualquer lugar do mundo sem renunciar à essência brasileira, uma essência rara e não replicável.
A natureza é sua grande parceira de criação. Ele não a enfrenta; a acolhe. Sua arquitetura nasce para servir ao ser humano, e não para aprisioná-lo. Essa singularidade fez com que a revista americana Architectural Digest o aproximasse do lendário Frank Lloyd Wright, em uma publicação de setembro de 1995 — comparação que poucos arquitetos brasileiros já receberam.
Dotado de uma visão que ultrapassa as fronteiras tradicionais da arquitetura, Gerson projeta para quem pisa o chão quente do sertão e também para quem habita espaços sofisticados. Suas obras falam tanto com o caboclo quanto com o morador mais exigente. Embora tenha sido amplamente publicado em revistas e livros nacionais e internacionais, continua profundamente ligado à terra árida que o formou. O Nordeste segue sendo sua bússola, sua força, seu combustível criativo.
No próximo dia 15, sua trajetória receberá mais um reconhecimento histórico: o Ministério da Educação, por meio da Universidade Federal do Piauí, concederá a Gerson Castelo Branco o título de Doutor Honoris Causa — uma justa homenagem a um criador que reinventou a própria ideia de arquitetura.
Meu amigo, a Paraqueira sempre será o abraço que você devolve ao mundo. Parabéns!


