" />
Português (Brasil)

Você também aplaude o “Verão Maior” do Ratinho ?

Você também aplaude o “Verão Maior” do Ratinho ?

Não se trata de negar o direito ao lazer. Como diz a música, “não queremos só comida, queremos também diversão”. O problema é quando a diversão de uma minoria privilegiada é financiada pela exploração de uma maioria invisível. Isso não é política pública, é farra com dinheiro público. O Paraná possui o segundo maior custo de vida do país, atrás apenas do Distrito Federal, segundo levantamento do Serasa.

Compartilhe este conteúdo:

O chamado “Verão Maior do Paraná” virou símbolo de prioridades distorcidas. O secretário de Turismo Paranhos, anuncia, sem constrangimento, que se não fosse o investimento de R$ 3 bilhões o “Verão Maior”, não aconteceria, como se isso representasse um benefício coletivo. Não representa.

O público que frequenta o litoral e as praias de água doce é específico e minoritário: gente que tem dinheiro para viajar, se hospedar, consumir e curtir shows. Menos de 7% da população do Paraná pisa regularmente na areia do mar ou participa desses eventos. A maioria do povo paranaense nunca viu o mar, nunca assistiu a um show milionário e, muitas vezes, mal consegue garantir comida e moradia.

Com R$ 3 bilhões, seria possível enfrentar de verdade o drama dos sem-teto, da fome e da exclusão social. Seria possível construir moradias populares, investir em saneamento, saúde, educação e geração de emprego. Mas o governo prefere fazer festa com dinheiro público, enquanto milhares sobrevivem à margem, sem dignidade.

Os shows milionários são o exemplo mais gritante. Eles não desenvolvem o litoral, não fortalecem a economia local de forma estrutural e não democratizam o acesso à cultura. São eventos que lotam em qualquer lugar, no litoral do Paraná, em Santa Catarina ou até, se fossem feitos em uma das fazendas do Ratinho, porque existe um público específico para esse tipo de espetáculo. Lotar não significa justificar o gasto.

Comparar o fluxo turístico de Santa Catarina com o do Paraná é outra falácia. SC tem infraestrutura, tradição e planejamento de longo prazo. Aqui, tenta-se compensar a falta de política pública com dinheiro fácil e eventos pontuais, pagos pelo contribuinte que nunca foi convidado para a festa.

A pergunta que fica é simples e incômoda: é isso que a maioria do povo do Paraná quer? Ou estamos diante de mais um governo que governa para poucos, enquanto muitos seguem sem casa, sem comida e sem esperança?

Investir bilhões em verão, enquanto o povo passa frio no inverno da desigualdade, não é desenvolvimento. É escolha política. E uma escolha profundamente injusta.

Compartilhe este conteúdo: