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Deputado Márcio Pacheco está preocupado com o aborto ou com os like?

Deputado Márcio Pacheco está preocupado com o aborto ou com os like?

A proposta do deputado Pacheco ainda tenta se sustentar afirmando que seguirá a Lei Geral de Proteção de Dados, como se isso fosse um diferencial, e não apenas uma obrigação básica de qualquer órgão público. É mais um exemplo de maquiagem legislativa para tentar vender profundidade onde só existe espuma.

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Quando um deputado está mais preocupado em aparecer do que em trabalhar de fato, acaba recorrendo a iniciativas sem sentido — verdadeiras encenações políticas. É exatamente o caso do parlamentar paranaense Márcio Pacheco, que resolveu apresentar um projeto que não acrescenta absolutamente nada ao que já é obrigatório na rotina médica. Todos os dados que ele quer transformar em “grande novidade” já constam nos prontuários hospitalares, seguindo normas rígidas e protocolos consolidados há décadas. Ou seja: o deputado tenta reinventar a roda para posar de defensor da moral.

Em vez de enfrentar os verdadeiros desafios — como o acolhimento psicológico, o suporte social, o acompanhamento religioso opcional e o atendimento digno às mulheres que passam por um abortamento — Pacheco prefere jogar para a torcida, explorando um tema sensível apenas para inflar a própria imagem pública. É a típica política do holofote: barulhenta, superficial e desconectada da realidade.

Mesmo assim, o plenário da Assembleia Legislativa do Paraná resolveu aprovar, em primeira discussão, com ampla maioria, o projeto que obriga hospitais, clínicas e maternidades, tanto públicas quanto privadas, a enviarem relatórios mensais e anônimos à Secretaria de Estado da Saúde sobre qualquer tipo de abortamento — natural, provocado, permitido por lei ou decorrente de complicações. Tudo isso reunindo dados que já são registrados de forma padronizada: quantidade de procedimentos, tempo de gestação, métodos utilizados, justificativas médicas, curetagens e intercorrências.

No debate, o deputado fez o de sempre: atacou quem discorda e alegou “motivação humanitária”, enquanto não apresentou uma linha sobre acolhimento, assistência, dor emocional ou saúde mental das mulheres. Falou de tudo, menos do essencial. Segundo ele, a intenção é “proteger vidas”. Difícil acreditar quando o projeto ignora justamente as pessoas em maior vulnerabilidade.

O texto já passou pelas comissões internas, mas continua sendo apenas um enfeite burocrático sem impacto real. Agora segue para as próximas votações no ano que vem — mais tempo de palco para quem prefere símbolo a solução.

 

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