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CUIDADO ! Nos dias de hoje certas vigílias e orações valem votos

CUIDADO ! Nos dias de hoje certas vigílias e orações valem votos

O arcebispo de Curitiba, Dom José Antônio Peruzzo, tomou uma decisão firme e amplamente apoiada pelos fiéis ao proibir a realização de uma vigília em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro — que está preso — o ato aconteceria dentro da igreja São Francisco de Paula na capital. A convocação foi feita pela jornalista e pré-candidata Cristina Graeml, já mirando as eleições

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O bom político precisa primeiro reconhecer os limites éticos que envolvem a utilização de um templo religioso para um ato claramente político. As igrejas, sejam católicas ou evangélicas, acolhem fiéis de diferentes linhas partidárias e ideológicas. Por isso, transformar um espaço sagrado em cenário de concentração política é inadequado e desrespeitoso.

Importante lembrar: vigílias e orações específicas podem ser feitas em qualquer lugar. Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava preso, seus seguidores alugaram um terreno em frente à Polícia Federal, criando um espaço privado justamente para evitar o uso indevido de templos. Não houve invasão de igrejas, não houve imposição religiosa — havia um espaço específico para aquilo.

Neste caso, porém, a situação tomou um rumo ainda mais preocupante. Após a proibição da Arquidiocese, alguns fiéis — que afirmam agir em nome da fé e da palavra de Deus — acabaram direcionando ataques e xingamentos ao pároco responsável por cumprir a determinação de Dom Peruzzo. Uma atitude que, além de ofensiva, destoa completamente de qualquer ensinamento cristão. Se a proposta era rezar, buscar espiritualidade e respeito, xingar o padre simplesmente porque ele não permitiu o ato dentro da igreja é uma contradição evidente.

Diante da proibição, o grupo passou a realizar orações na calçada, em frente à igreja, utilizando o espaço externo como cenário alternativo para o ato. Rezaram, sim — mas também tiveram de rezar bastante para justificar, diante deles mesmos e da sociedade, que o encontro não tinha intenção política, embora a convocação tenha sido feita por uma pré-candidata. 

A decisão de Dom Peruzzo, reconhecida e aplaudida pela imensa maioria dos católicos, foi necessária para preservar o caráter sagrado da igreja. Muitos pastores evangélicos também têm tomado posições similares, vedando o uso de templos como palanques.

O templo é de todos: de fiéis da esquerda, da direita, de centro. Não pertence a partidos nem a candidatos, mas a sim a crença, independente de paixão partidária ou paixão por time de futebol. Por isso, quem deseja promover vigílias, rezas, concentrações ou atos de apoio político deve fazê-lo em praças públicas, espaços privados alugados ou locais apropriados — nunca instrumentalizando o nome de Deus para fins eleitorais.

A atitude do arcebispo foi prudente, correta e alinhada ao dever de proteger a casa de oração de interferências que nada têm a ver com fé. E o episódio serve de lição: quem usa a religião como ferramenta política corre sempre o risco de desrespeitar o próprio sagrado que diz defender.

 

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